top of page
Capa 11.png

Gabriela Schwengber
Henrique Hamester Pause
(Org.)

Sexo e gênero sob perspectivas históricas: da Antiguidade à contemporaneidade

Ainda que de forma bastante distinta, desde a Antiguidade, as questões de gênero e os usos do sexo, ou uso dos prazeres nos termos propostos por Michel Foucault para pensar o mundo antigo greco-romano, tem sido motivo de debates, percepções, escrutínios morais, prescrições éticas, zombarias, invectivas e até processos jurídicos. Lidar com o diferente e com o que foge às normas impostas por padrões sociais não tem sido uma tarefa fácil desde períodos mais recuados até o Brasil do século XXI. Nos últimos anos, no Brasil, vimos as pautas de gênero serem apropriadas por líderes religiosos e políticos que criaram verdadeiros pânicos morais na população. Muito recentemente, em 2021, o Senado nacional chegou a disponibilizar virtualmente uma petição pública a respeito da criminalização do que chamaram de “ideologia de gênero” no âmbito das instituições de ensino.
Tudo isso faz com que sexo e gênero sejam assuntos extremamente importantes e atuais, pois envolvem não apenas sentimentos, performances, subjetivações e emoções, como também questões de coesão, de poder e ordenamento social, como bem mostrou a historiadora estadunidense Joan Scott em seu clássico artigo Gender: A Useful Category of Historical Analysis, publicado em inglês no ano de 1986 e traduzido para o português e publicado pela primeira vez no Brasil em 1990. 
Diante disso, pensar o sexo e o gênero sob perspectiva histórica, ou seja, analisando diferenças e rupturas nas formas de lidar com o tema em períodos distintos e por diferentes culturas, como proposto nesta coletânea, torna-se algo extremamente importante para historiadores e historiadoras comprometidos. Pensar o tema do sexo e do gênero em diferentes contextos também nos permite, enquanto historiadoras e historiadores, refletir sobre as múltiplas temporalidades e seus fenômenos de curta, média e longa duração, algo tão caro a nossa profissão: pensar o tempo, as permanências e as rupturas.
Além do mais, ao colocar o tema em perspectiva histórica com textos que abordam diferentes períodos, as autoras e os autores deixam claro que sexo e gênero tem uma história e essa história nem sempre foi como a atual, as atribuições e as opressões, ainda que possam ter acontecido em outras sociedades diferentes da nossa, eram distintas e tinham variações. Isso nos mostra também, mesmo que indiretamente, o empenho dos organizadores e autores com as lutas por direitos humanos e com a denúncia de desigualdades e opressões, pois pensar a história é lidar com o peso da cultura e da capacidade de transformação da sociedade. Se a História se transforma, por que não podemos transformar realidades de violência e desigualdades de gênero em nosso presente? 
A História mostra que não há homem genérico, não há mulher genérica, não há forma genérica de lidar com as relações homoeróticas e com a não identificação com o sexo atribuído. Portanto, precisamos saber lidar com as diferenças e combater as violências de sexo e gênero. Precisamos ainda aprender a pensar sempre em perspectiva interseccional, lidando com gênero, classe, raça, identidade étnica e cultural, mundo do trabalho, etc., sempre perpassando o viés do poder que envolve as relações de gênero e sexo. 
Por fim, cumpre destacar que, inspirada por coletâneas como Sexo e Violência. Realidades antigas e questões contemporâneas, publicada em 2011 pela Editora Annablume e organizada por José Geraldo Costa Grillo, Renata Senna Garraffoni e Pedro Paulo A. Funari e Gênero e Regulações do sexo entre antigos e modernos, publicada em 2024 pela Editora Fi e organizada por Fernando de Figueiredo Balieiro e Semíramis Corsi Silva, a coletânea que aqui se apresenta traz a novidades de ser uma obra de estudantes de mestrado e doutorado ou recém-doutores, comprometidos em dialogar com a produção estrangeira sobre o tema, mas também em mostrar a importância do diálogo com a produção historiográfica nacional sobre gênero já consolidada. 
Com um tema instigante, desenvolvido em dez capítulos de agradável leitura, Sexo e gênero sob perspectivas Históricas: da Antiguidade à Contemporaneidade nos convida a olhar sobre a complexidade do tema e a vislumbrar mais respeito às diferenças e diversidades em nosso cotidiano. 
Boa leitura!

 

Profa. Dra. Semíramis Corsi Silva
Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e 
Programa de Pós-graduação em História da UFSM (PPGH/UFSM)
 

Editora Cabana

  • Instagram
  • Facebook
  • Whatsapp

Ananindeua/PA, Amazônia, Brasil

CNPJ: 43.217.974/0001-34

cabanaeditora@gmail.com

Assine nossa newsletter

Agradecemos pelo contato!

© 2021 by Editora Cabana.

bottom of page